Amigos Brasileiros,
O Brasil sempre foi palco de expectativas intensas por transformação, especialmente entre os que sempre estiveram à margem do poder. Em 2003, ecoando o anseio de gerações, Luiz Inácio Lula da Silva – finalmente um representante vindo do povo, sem diploma universitário, operário de origem humilde – confirmou-se presidente. Aquele momento simbolizava o que muitos interpretaram como a chegada do povo ao comando da nação. Cresceu uma esperança coletiva de que, ao contrário do domínio histórico das elites e das forças armadas, agora seria a vez real dos “sem privilégios” influenciarem o destino do país.
As expectativas em relação ao governo Lula eram elevadas, embebidas numa crença quase messiânica de que, sob seu comando, o Brasil finalmente se desvincularia das amarras históricas. Sonhava-se com reformas profundas, reversão da desigualdade e real justiça social.
No entanto, conforme o tempo mostrou – e como a história gosta de repetir com crueldade – os mecanismos de manipulação, a estrutura de poder, bem como a vigilância do mercado e da mídia, rapidamente restringiram o campo de ação do novo governo. Navegando entre antigos e novos desafios, Lula inaugurou sua gestão envolto em esperança, mas cercado por obstáculos invisíveis e armadilhas há muito bem instaladas no sistema.
Seja como for, Lula demonstrou certa ingenuidade diante do cenário que enfrentaria ao assumir a presidência. Talvez tenha acreditado que bastaria o comprometimento genuíno com os ideais de justiça social e igualdade — moldado por sua própria trajetória de pobreza e proximidade com a fome — para promover as transformações que o país tanto precisava. Contudo, a realidade brasileira logo se impôs, mostrando que boa vontade e identificação com o povo não são suficientes para vencer estruturas arraigadas de poder, interesses econômicos e mecanismos profundamente enraizados pela elite. As aspirações de mudança, por mais autênticas que fossem, acabaram rapidamente confrontadas por um sistema que não se dobra à força das intenções, convertendo sonhos em grandes desilusões diante da necessidade de ceder à lógica dura e intransigente do mundo real.
Rapidamente, Lula mudou de postura e passou a acreditar que a negociação era o único caminho possível para governar dentro das limitações do sistema político brasileiro. Contudo, ao se lançar em negociações constantes e generalizadas, não percebeu que nem tudo deveria ser objeto de barganha. Negociar indiscriminadamente frequentemente significa abrir mão de princípios éticos e de compromissos fundamentais com a justiça social, mergulhando num jogo em que as concessões se tornam cada vez mais distantes dos valores que motivaram sua ascensão. Ao aceitar que os fins justificam os meios, Lula entrou num terreno perigoso, onde, inevitavelmente, a lógica da sobrevivência política se sobrepõe à integridade do projeto transformador. É nesse contexto que morre o Lula metalúrgico idealista e nasce o Lula político pragmático, condicionado pelo ambiente implacável da política brasileira.
Logo ficou nítido que a tão sonhada transformação estrutural era limitada por muitas barreiras. Lula, tido como legítimo porta-voz da esquerda, esbarrou num sofisticado sistema de controle. O peso da camisa de força invisível imposta pela elite, pelo mercado financeiro e por uma imprensa aliada ao status quo impedia qualquer avanço real. Todas as ações fora dos limites impostos eram rapidamente demonizadas ou, quando necessário, neutralizadas sob ameaça de crises, sejam institucionais, econômicas ou políticas – como a constante ameaça de reações negativas do “mercado” ou até de impeachment.
No fundo e na prática, Lula jamais se aproximou de qualquer mudança estrutural legítima que pudesse retirar o povo brasileira da injustiça e da desigualdade. Após tamanha resistência, curvou-se a colocar alguma comida na mesa dos que tinham fome, sem com isso, tratar a causa, somente atuando nos sintomas. As verdadeiras estruturas de poder jamais foram ameaçadas pelo governo Lula.
A elite brasileira, guardiã dos maiores interesses econômicos, encontrou na permanente vigilância do “socialista” Lula a desculpa perfeita para engessar qualquer tentativa real de reforma. Paralelamente, Lula e o Partido dos Trabalhadores cederam em várias frentes, acreditando que tudo seria negociável. Mas a política do toma-lá-dá-cá e das grandes coalizões apenas aprofundou o velho problema estrutural: a corrosão moral nas relações políticas, que rapidamente converteu negociação em institucionalização da corrupção.
A própria história, inclusive a trajetória pessoal de Lula, foi usada contra ele. A elite não hesitou em explorar sua origem humilde como fraqueza, criando mecanismos de bloqueio a qualquer iniciativa que transcendesse seus interesses. Todo grande avanço social, como o Bolsa Família, foi concedido com limites claros: tratar os sintomas, jamais a causa. Assim, assistimos à consolidação de um sistema onde programas de transferência de renda garantem alívio momentâneo, enquanto a dependência e a estrutura de desigualdade e injustiça permanecem intactas. O povo, em parte, recebeu alimento, mas não dignidade – a vara de pescar lhe foi negada por uma elite que, assim, continua a manter em suas mãos as rédeas do poder fazendo leilão de suas migalhas.
Esse jogo de forças fez do mandato de Lula uma triste repetição de antigas armadilhas históricas. Getúlio Vargas, no passado, havia tentado usar as forças armadas para enfraquecer a elite – gerando conflitos que desembocaram na ditadura militar. Lula fez a escolha oposta, tentando negociar e se mantendo afastado das forças armadas. Tal isolamento e concessão permanente à elite limitaram sua capacidade de promover mudanças reais, obrigando-o a pedir aval a quem sempre deteve as chaves do cofre, das leis e do destino do país.
No fim das contas, mais se administrou miséria e a pobreza do que se combateu suas causas, e o governo seguiu tratando o povo como dependente da boa vontade estatal. O assistencialismo manteve o povo numa posição de passividade, enquanto a dignidade e a verdadeira liberdade seguiriam distantes. Entre justiça e caridade, o Estado preferiu alimentar o papel de salvador, sem construir instrumentos de emancipação e transformação. Não há, ainda, programa sólido de esquerda capaz de enfrentar o Brasil real: ausência de reforma estrutural, fiscal, educacional e uma dependência cada vez maior do discurso paliativo. O acesso a universidades públicas pela classe pobre foi uma vitória importante que precisamos mencionar.
Há um equívoco central que atravessa a história recente do Brasil – e poucas pessoas se dão conta: o abismo entre o que se deseja e como se alcança. Os objetivos da esquerda brasileira são nobres (justiça, igualdade, dignidade), mas estas aspirações não são suficientes. De fato, a esquerda Brasileira nunca teve e não tem um plano de Transformação para o Brasil. Por isso, a elite nunca se preocupou tanto: sabia que, mesmo com alternância de poder, os limites fundamentais do jogo — que sempre favorecem seus próprios interesses — seriam mantidos intactos. O resultado é um país paralisado, com programas frustrados e uma população afastada da arena real das decisões.
E quando a esquerda tentou ir além com Dilma, sofreu o impeachment. Como aliás, a elite sempre falou que faria. Pois, controlar o povo e colocá-lo a seu favor, para legitimar algo que de fato a elite deseja, fazendo parecer que é o povo que deseja, é uma tarefa para a qual a elite Brasileira já tem PHD e todos os méritos. Não é povo Brasileiro?
De fato, qualquer pessoa de origem humilde e sem formação acadêmica prestigiada, nunca conseguiria transformar profundamente o país diante da mentalidade atual do povo brasileiro. O grande obstáculo não é a origem humilde em si, mas o descrédito automático que grande parte da sociedade dedica a qualquer projeto transformador proposto por quem não ostenta títulos de elite.
No Brasil, se alguém sem formação nobre surge com uma proposta real de justiça e igualdade — e essa proposta realmente funciona — basta um intelectual da elite, formado no exterior, habituado a um estilo de vida distante da realidade do povo e sem qualquer vínculo com as urgências nacionais, desdenhar ou se opor à ideia, para que imediatamente o povo desacredite da proposta transformadora e coloque sua confiança naquele que representa os antigos poderes. Em vez de enxergarem as oportunidades práticas e implementarem soluções, preferem se agarrar à retórica teórica — quase sempre produzindo mais burocracia e desculpas do que efetivamente promovendo progresso.
Isso me lembra o físico Richard Feynman, que como eu, notou essa tendência nociva: um respeito quase cego ao formalismo acadêmico, criando distância entre teoria e o mundo real. Essa crítica ecoa também minha experiência de mais de 30 anos à frente de empresas, enfrentando diariamente a barreira de uma cultura nacional que preza mais os títulos do que a eficácia e a inovação prática.
O povo, mais uma vez, iludindo-se com discursos “antissistema”, aceitou a candidatura que renovava os laços entre elite e militares. E, paradoxalmente, o povo que sempre sofreu nas mãos da elite optou por alguém que prometia defender seus interesses, depois de atender os da própria elite, num reflexo do cansaço, descrença e ignorância. O jogo de narrativas foi, novamente, vencido por quem melhor soube manipular o medo e a esperança. E quem sabe fazer isso com maior maestria do que a elite Brasileira?
O governo Bolsonaro mostrou-se rapidamente destituído de propostas concretas de avanços para o país. Seus discursos eram projeções mentais de sua própria sombra. Novamente, e da mesma forma que o governo Lula, se confundiu OQUE com o COMO. Ou seja, como no governo Lula as aspirações eram as melhores possíveis, mas sua execução era igual senão pior que os governos anteriores.
Um exemplo para que isso fique claro: Posso dizer que quero a paz dos seres humanos. Este OQUE é muito positivo e todos concordam. Mas posso tomar a decisão de matar todos seres humanos e viver em um planeta silencioso. Este COMO tem algum mérito de minha parte? O Brasileiro tem dificuldade em conectar estes 2 elementos, mas isso é preciso. A maioria das pessoas tem um OQUE auspicioso, mas o COMO que merece atenção. E o COMO do governo Bolsonaro foi no mínimo desastroso.
O governo Bolsonaro não conseguiu avançar nenhum grande projeto para o povo brasileiro, pois suas próprias alianças – em especial a aproximação com as Forças Armadas – produziram instabilidades e desentendimentos. O suposto “antissistema” apenas reciclou velhas práticas e consolidou negócios em favor de setores específicos, principalmente a favor da elite, sem qualquer avanço significativo para o povo. Da mesma forma que no governo de Fernando Henrique, pergunto: Para onde foram os mais de 30 bilhões da privatização da Eletrobras?
Bolsonaro, imerso em suas próprias projeções e percepções de poder, aproximou-se cada vez mais das Forças Armadas, movimento que rapidamente acendeu um sinal de alerta e, em seguida, provocou uma forte repulsa na elite econômica e política brasileira. Temendo que o protagonismo militar excedesse os limites do jogo tradicional, a elite agiu para reequilibrar o cenário, utilizando o discurso democrático como ferramenta de contenção. Nesse processo, a democracia tornou-se mera estratégia de enquadramento, um instrumento para resguardar os privilégios históricos e evitar qualquer ruptura real na estrutura de poder. Mais uma vez, o Brasil ficou à mercê desses grupos, que, de maneira irônica, recorreram ao próprio Judiciário para viabilizar a volta de Lula à arena política — mesmo após terem sido os principais fiadores de sua condenação.
A elite, que antes celebrava efusivamente a Operação Lava Jato, logo se voltou contra ela, rejeitando-a conforme mudavam seus interesses. O mesmo Judiciário que perseguiu Lula agora reabilita sua imagem e, simultaneamente, volta-se contra Bolsonaro, que, acuado, procura abrigo junto aos aliados fardados para proteger-se. Esse constante vaivém judicial, guiado por conveniências e jamais por princípios universais de justiça, alimenta o profundo senso de impunidade que assola o país. Não à toa, essa lógica contaminou até o crime organizado e suas milicias, que espelhou suas práticas na corrupção institucionalizada, perpetuando o ciclo vicioso de ilegalidade no cotidiano brasileiro.
Para muitos de seus apoiadores, Jair Bolsonaro representou uma ruptura inédita na história recente do Brasil. Sua ascensão em 2018 veio marcada por um discurso direto e avesso ao politicamente correto, interpretado como coragem diante de um sistema visto como corrompido e conivente com privilégios históricos. Bolsonaro foi visto como uma força antissistema, um líder capaz de mobilizar grandes massas populares e de desafiar a hegemonia das velhas elites e das instituições até então intocáveis. Sua postura firme em temas como segurança pública e combate à corrupção era, para seus admiradores, um resgate dos valores nacionais e da esperança numa política mais transparente.
Além disso, durante seu governo, Bolsonaro buscou implementar uma agenda econômica liberal. A favor do enxugamento do Estado, promoveu privatizações e reduziu regulações que, segundo defensores, travavam o crescimento nacional. Suas alianças na equipe econômica, especialmente com figuras técnicas, foram consideradas por parte do mercado e de setores empresariais como um alento diante de anos de intervencionismo. Muitos também ressaltam sua assertividade em proteger a soberania nacional, em reforçar alianças com setores das Forças Armadas e em manter uma postura dura no cenário internacional realizando o que consideravam “necessário para o Brasil voltar a ser respeitado”.
Assim, nem Lula nem Bolsonaro e nem mesmos as forças armadas conseguiram quebrar um sistema complexo criado pela elite Brasileira. E isso, em grande parte, porque ela detém em suas mãos a classe média. Que como sabemos, é o seu lacaio. Sonha em ser elite, e vende sua alma para isso.
Assim, perdeu-se mais uma vez a oportunidade de repensar o Brasil. O povo, à margem dos grandes processos de decisão, segue esperando mudanças que nunca chegaram, enquanto o jogo de interesses muitos maiores são decididos a sua revelia. O ciclo de ilusão e desencanto perpetuou-se, com a elite sempre encontrando maneiras de enquadrar qualquer ameaça ao seu domínio, enquanto a democracia é usada como escudo para seus privilégios e arma contra seus antigos adversários.
A justiça, por sua vez, tornou-se palanque da elite, disciplinando ora a esquerda, ora a direita, ora os militares, sempre em nome de uma narrativa de proteção à democracia, mesmo que seja como sabemos uma FALSA democracia, mas nunca em benefício do povo.
Ou seja, pouco importa quem ocupa a presidência, tampouco se governa pela direita ou pela esquerda, pois qualquer ideologia acaba sucumbindo diante da poderosa engrenagem da República brasileira, cuidadosamente montada e perpetuada pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Essa verdadeira camisa de força, travestida de democracia exemplar, serve apenas para manter e legitimar um sistema onde as regras, as leis e o próprio funcionamento institucional atuam como barreiras sistemáticas a qualquer tentativa concreta de promover justiça social ou igualdade real para o povo brasileiro.
O Brasil precisa despertar, e esse despertar começa com cada um de nós. Você que me assiste, precisa abrir os olhos para a realidade e assumir seu papel de agente da mudança. Juntos, temos a responsabilidade de conscientizar outros brasileiros e iniciar a verdadeira transformação que nossos avós sonharam, que nossos filhos merecem testemunhar e que, se começarmos agora, ficará marcada para sempre na memória das futuras gerações deste país. Existe um meio de mudar nosso país, mas para isso, você, Brasileiro precisa estar mais desperto e consciente.
Amigos Brasileiros,
É hora de acordar. Não podemos continuar aceitando passivamente todo descaso com nosso povo. Se continuarmos apáticos e isolados continuarão nos roubando mais que dinheiro, mas nossas vidas. Nosso passado, nosso presente e nosso futuro. E estaremos deixando para nossos filhos um sofrimento perpétuo, injustiça e desigualdade.
A libertação deve começar em si mesmo. Porque são as mentes dos brasileiros que ainda estão presas. Precisamos nos libertar. Cada um de nós. Só existe uma liberdade – a liberdade da mente. Se você é refém em sua própria mente, é refém de tudo, até mesmo de seus próprios desejos.
Preciso que venha comigo. Episódio a Episódio. Temporada a temporada. Porque nesta série o final depende de você.
Meus queridos amigos, hoje compartilho com vocês mais uma parte de minha jornada de minha vida pessoal.
Em determinado momento da minha vida, eu já conhecia profundamente as principais religiões do mundo e estava enfrentando alguns “demônios” pessoais que, felizmente, hoje considero superados. Iniciei a prática da meditação aos 16 anos de idade e, desde então, mantenho esse hábito. Na época, porém, enfrentei bastante resistência, inclusive de minha mãe, que acreditava que meditar era “coisa do diabo”. Precisei vencer essas limitações simbólicas impostas por minha própria família e amigos, pois, caso contrário, jamais teria conseguido crescer como ser humano.
Por um lado, vivia intensamente o universo científico, cursando Engenharia de Computação na PUC-RJ. Por outro, me aprofundava cada vez mais no mundo religioso. Aproveitei bastante minha passagem pela PUC-RJ para acessar livros raros sobre cristianismo e estudar essa e outras religiões com profundidade. Era o que eu fazia nos meus tempos livres.
No entanto, sentia que ainda faltava algo. Isso só fui encontrar mais tarde, quando entrei em contato com a psicologia, e, na sequência, com a psicanálise. Adquiri as obras completas de Freud e, como sempre faço, iniciei a leitura na ordem cronológica, do primeiro ao último livro. Aproximadamente na metade da leitura, tive uma verdadeira crise mental — passei um dia e meio com a mente imersa em um estado de vazio e atemporalidade. Quando retornei à normalidade, decidi buscar um aprofundamento ainda maior na área.
Imediatamente, tentei me inscrever em uma formação em psicanálise, mas fui impedido por não ser psicólogo ou médico. Mesmo assim, não desisti: consegui marcar uma reunião com a presidente do Círculo Brasileiro de Psicanálise (CBP). Após seis horas de entrevista, excepcionalmente fui aceito para iniciar a formação, embora não a tenha concluído. Depois de Freud, mergulhei na obra de Jung, adquiri sua coleção completa e também li todos os seus livros. Por fim, realizei uma formação lacaniana, no Círculo Lacaniano.
Essa unificação das diversas abordagens me lapidou profundamente, contribuindo para meu desenvolvimento integral e, sobretudo, permitindo-me enxergar o “REAL” — e não apenas o mundo dos símbolos. Passei a perceber a realidade anterior à linguagem e aos modelos simbólicos elaborados pelos seres humanos, esses mesmos modelos que hoje adoecem a humanidade, gerando inúmeros transtornos mentais e problemas de diversas naturezas. Essa experiência culminou na criação da Supreme Mind, por meio da qual venho ajudando muitas pessoas ao longo do tempo.
Enquanto consolidava minha vida interior, mantinha também uma forte atuação empreendedora. Desenvolvi diversos softwares, fundei minha primeira empresa, que vendi em 1997, repetindo o processo em 1999 com minha segunda empresa. Desde então, continuo me dedicando diariamente a minhas empresas e à rotina de empreendedorismo.
Minha busca interior me levou à Índia, onde desejava aprofundar ainda mais meu processo meditativo. Essa viagem foi profundamente transformadora, especialmente porque precisei me separar do grupo com o qual fui e seguir sozinha naquele país. Essa história, no entanto, merece ser contada em outro momento.
Não posso desprezar essa dimensão da experiência humana, que considero essencial. Não nascemos apenas para ganhar dinheiro, conquistar fama ou enganar os outros. Pelo contrário: a verdadeira sabedoria nasce da humildade de desaprender. Precisamos retornar a um estado mais saudável da mente, livre das violências impostas pelo mundo simbólico. Arrisco afirmar que hoje estamos em transe, presos ao modelo artificial que criamos do mundo, incapazes de enxergá-lo de maneira mais autêntica e direta. E isso nos adoece.
O universo é vasto e belo — precisamos nos libertar, e essa libertação só será possível ao libertarmos o próximo. Essa é a principal lei do universo. Sem passar pela compaixão e pelo amor, jamais conquistaremos a liberdade da vida e também da morte.
A ação compassiva e amorosa em direção ao próximo paradoxalmente sempre beneficia a nós próprios. Na proximidade de nossa morte, sempre vem o pensamento daqueles que deixamos de ajudar, e nunca da qual fama deixei de conquistar ou quanto dinheiro ainda possuo. A vida é verdadeiramente puro amor e compaixão e não existe nada maior que amor e compaixão e de fato é somente pelo amor e compaixão que estamos aqui.
Pergunta 1: Brasil: Rogério, por que toda vez que parece que o povo finalmente chegou ao poder – como foi com Lula ou com a esperança em Bolsonaro – acabamos sempre frustrados, como se nada mudasse de verdade? Por que esse ciclo se repete?
Resposta 1: Rogério: Brasil, o que vives é uma grande ilusão coletiva: a crença de que um indivíduo pode sozinho transformar a estrutura que te aprisiona há séculos. A frustração que sentes decorre de depositar toda esperança em líderes, ignorando que estes operam dentro de um sistema muito maior, moldado por interesses profundos e invisíveis. Lula, vindo do povo, simbolizou um desejo de resgate e superação, mas encontrou limites impostos por uma engrenagem planejada justamente para barrar qualquer real ruptura. E Bolsonaro, não conseguiu sustentar sua visão em ações, buscando apoio na força militar. O ciclo se repete porque nunca mudaste seu principal erro: apostas sempre no salvador, nunca em sua própria responsabilidade na mudança de seu país. O próprio sistema político te ensina a sonhar com heróis e a temer o empoderamento popular lúcido. Aceitar que tais mudanças não vêm de um só, mas de uma massa consciente, é assustador, pois exige trabalho árduo, vigilância constante e união além das narrativas vendidas. O povo, ao invés de se organizar de forma autônoma, espera do Estado aquilo que só a sua própria articulação pode construir: cidadania ativa, pressão, estratégia e clareza. Enquanto aguardas milagres, a elite e os poderes institucionais seguem renovando suas táticas, sempre atualizando o rol de ilusão, seja pela esquerda, pela direita ou por algum messias de ocasião. Te liberta quando entendes que nenhum presidente será capaz de desfazer sozinho séculos de manipulação. A força está – e sempre esteve – em ti, Brasil, quando escolhes despertar, organizar, reivindicar e reparar, não esperando passivamente o milagre de cima, mas construindo a transformação que começa de baixo, com indivíduos mais conscientes e despertos.
Pergunta 2: Brasil: Então Rogério, devo concluir que minha esperança é ingênua? Devo desistir de acreditar no futuro ou conservar a fé nos novos líderes?
Resposta 2: Rogério: Tua esperança não é ingênua, Brasil, tua esperança de fato é preciosa – mas ela precisa amadurecer e deixar a infantilidade e ignorância. Não se trata de desistir do futuro, trata-se de perceber que a esperança só se realiza quando se soma à responsabilidade e à ação consciente. Acreditar apenas em líderes é como confiar que o terreno árido florescerá sem que antes alguém o prepare, o cultive e cuide cotidianamente. O que te aprisiona é a esperança mágica, passiva, infantil: crês que basta desejar, rezar e esperar. O futuro se constrói não apenas pela fé em nomes, mas pelo compromisso de todos em exigir, fiscalizar, propor e não tolerar o descaso. O que falta ao Brasil não é esperança, e sim uma fé baseada em ações não em palavras e uma falsa moral superior. A fé cega e baseada em palavras apenas alimenta o ciclo do desapontamento. Já a fé baseada em ações transforma o mundo e se renova diariamente. Pessoas de compromisso com o povo e competentes podem e devem ser apoiados – mas nunca idolatrados e jamais deixados sem o pulso firme da cobrança cidadã. Te liberta quando assumes que teus sonhos só frutificam à medida que reconheces sua responsabilidade – de escolher, de fiscalizar, de corrigir, de agir e de unir. Não cultives esperança cega e infantil, mas esperança compromissada com o verdadeiro protagonismo de cada brasileiro.
Pergunta 3: Brasil: Por que entrei nesse jogo de direita versus esquerda, elegendo lados, enquanto os reais problemas não mudam? Será que essas divisões servem a algum propósito ou só me afastam do que desejo de verdade?
Resposta 3: Rogério: Brasil, as divisões entre direita e esquerda vão além de ideologias. Serviram e ainda servem como cortina de fumaça, mantendo-te distraído daquilo que é estrutural e urgente: justiça, igualdade, dignidade concreta e repartida. O debate ideológico, quando transforma diferença em guerra, te separa de ti mesmo, fragmenta tuas forças e faz esquecer que ambos polos são capturados pelo mesmo sistema de privilégios. A elite historicamente sempre soube manipular essas divisões para manter o status quo. Quanto mais te fragmentas internamente, mais fácil és manipulado. O verdadeiro propósito dessas dicotomias, no atual modelo brasileiro, é te afastar da possibilidade de uma agenda comum, unificadora, que transcenda rótulos e acesse o real: o sofrimento do povo, a fome, a injustiça, a corrupção sistêmica. Enquanto perdes energias defendendo bandeiras abstratas, deixas de perceber que teu inimigo nunca foi o brasileiro ao lado, nem seu vizinho mais próximo, mas sim estruturas que operam há séculos para assegurar privilégio a poucos. O conflito real não é entre ideias, mas entre a perpetuação da desigualdade e o surgimento de uma consciência coletiva. O antídoto é simples e revolucionário: retoma o foco naquilo que é comum, na urgência da dignidade universal – e recusa-te a participar do jogo fabricado da polarização. Te liberta, Brasil, quando supera as trincheiras ideológicas e te recorda de que tua verdadeira luta é por justiça e igualdade – não por rótulos ou ideologias.
Pergunta 4: Brasil: Muitos dizem que o Estado é sempre o vilão, mas também ouço que o mercado só pensa em si. Rogério, qual o papel do Estado e do mercado no meu desenvolvimento? Posso confiar em algum deles para garantir um futuro melhor?
Resposta 4: Rogério: Brasil, tanto Estado quanto mercado são instrumentos – não deuses, nem vilões. Ambos são criados e operados por agentes humanos, com suas paixões, temores, sonhos e limitações. O problema começa quando te ensinam que tua salvação está apenas em entregar poder total a um ou a outro, esquecendo o elemento essencial: o controle social e o compromisso com o bem comum. O Estado, sem o pulso da sociedade desperta, facilmente se corrompe, torna-se máquina de privilégios ou assistencialismo dependente. O mercado, solto e sem regulação ética, tende a buscar apenas crescimento e lucro, ignorando a dignidade humana, a fome e a desigualdade. O equilíbrio saudável nunca é dado de antemão: é construído todos os dias pela voz ativa e vigilante do povo. O futuro não será entregue pronto por nenhum dos dois polos. Cabe a ti, como coletivo, aprender a cobrar, vigiar, corrigir e extrair de ambos o melhor: justiça do Estado, inovação do mercado, sempre tendo como norte a dignidade e igualdade. O controle social sobre ambos é a única âncora de garantias reais de prosperidade compartilhada. Confia, Brasil, apenas na tua capacidade de organizar o Estado e o mercado para servir ao bem de todos. Banhe ambos à luz da vigilância cidadã, e perceberás que Estado e mercado podem ser instrumentos de tua própria libertação – nunca seus senhores e seu Deus.
Pergunta 5: Brasil: Rogério, como posso abandonar o papel de vítima, já que tantas vezes a história me fez refém da elite, das forças armadas ou dos interesses internacionais? De onde tiro coragem para me tornar protagonista do meu destino?
Resposta 5: Rogério: Deixar de ser vítima começa sim, por reconhecer como tua história te marcou até aqui, mas não para sempre. Você tem escolha daqui para frente. O papel de vítima, por muito tempo, foi imposto a ti como mecanismo de controle – seja pela violência, pelo medo, pela fome ou pela esperança frustrada. Só que há um ponto de inflexão: quando se toma consciência desse ciclo, surge o poder de transformá-lo. A coragem de assumir protagonismo nasce, paradoxalmente, da aceitação da tua dor. Não é vergonha ter sido machucado, explorado ou manipulado, mas é fraqueza aceitar esse papel para sempre. A força começa quando paras de esperar salvadores e as soluções externas, voltando teu olhar para dentro – para tua criatividade, tua união, tua indignação saudável, tua capacidade de construir, educar e ajudar o próximo. Na história mundial podemos encontrar povos que romperam ciclos seculares de opressão ao despertar para sua possibilidade de agir, de ocupar novos espaços, de acreditar que sua voz, multiplicada na multidão, é capaz de dobrar poderes antes tidos como inabaláveis. Tua experiência de dor é a matéria-prima para a criação de solidariedade autêntica e de projetos que ponham fim à injustiça crônica. Te liberta, Brasil, quando permites que a dor te ensine, mas não te defina; quando fazes da compaixão uma ponte para a ação; e quando cada narrativa de injustiça serve para desenhar soluções – nunca mais para justificar paralisia. Teu destino está em tuas mãos, já não deves pedir permissão para ser livre.
Pergunta 6: Brasil: Como posso resgatar minha autoestima enquanto nação, Rogério? Depois de tantas decepções, escândalos e da sensação de só ser valorizado por estereótipos ou por minhas belezas naturais, como encontro orgulho genuíno e duradouro de ser brasileiro?
Resposta 6: Rogério: Brasil, tua autoestima foi minada não apenas pelas derrotas constantes, mas por séculos de narrativas que exploraram tuas dores e esconderam tuas grandezas. A autoestima nacional não nasce da comparação com outros ou da superficialidade dos estereótipos – ela emerge do reconhecimento profundo do teu potencial, da tua resiliência, da tua inigualável criatividade diante de tantas adversidades. O orgulho autêntico se constrói ao valorizar não as façanhas de poucos, mas a dignidade de muitos: o agricultor que alimenta, o professor que ensina, o médico que resiste, o pai, a mãe, o artista, o inventor, o jovem que sonha, o negro e o indígena silenciados e, ainda assim, resistentes. Teu grande triunfo está não nas páginas oficiais, mas na luta diária pela vida com esperança, humor, calor humano e solidariedade que poucos povos conhecem tão profundamente. A autoestima cresce quando abandonas o complexo de vira-lata e paras de esperar validação externa – das elites, das academias universitárias, do capital estrangeiro ou mesmo do noticiário diário. Constrói tua identidade numa ética prática e forte: cada ação honesta, cada iniciativa coletiva, cada vitória sobre a injustiça acende uma nova chama em tua alma. Aprende a celebrar as pequenas mudanças, o progresso silencioso, o avanço anônimo, sabendo que é assim que nasce o orgulho verdadeiro – e não da fantasia de grandeza instantânea ou da celebração narcísica de suas conquistas. Te liberta, Brasil, quando passas a ser o autor da tua própria história, quando olha para teus erros como mestres e para tua pluralidade como riqueza. O orgulho nacional brota quando cada brasileiro sente que seu esforço tem valor e que juntos podem transformar até o impossível. O amor-próprio coletivo é o primeiro tijolo da grande nação que já existe em potencial, esperando por tua consciência desperta.
Pergunta 7: Brasil: Rogério, se agora eu compreendo tudo isso, qual o primeiro passo prático que devo dar para me libertar desse ciclo e começar uma transformação definitiva? Por onde começo, se me sinto pequeno diante de tantas estruturas poderosas?
Resposta 7: Rogério:Brasil, o primeiro passo é o mais fundamental de todos: a decisão íntima de acordar – não amanhã, nem mês que vem, mas agora. Esta decisão não se realiza nos grandes palanques, mas no cotidiano: recusar a passividade, abandonar as narrativas que te dizem que não vale a pena lutar, e começar a agir com consciência no seu entorno imediato. O despertar coletivo começa pelo íntimo de cada cidadão disposto a ser semente de uma mudança verdadeira e autônoma. A transformação definitiva não começa derrubando estruturas titânicas com um gesto heroico, mas eliminando a indiferença no dia a dia: colaborando no bairro, exigindo dignidade nas relações, educando filhos e vizinhos para a cidadania, dizendo não à corrupção por menor que seja, valorizando o trabalho honesto e o empreendedorismo. O pequeno gesto movido por consciência é a faísca que, ao multiplicar-se, se torna fogo incontrolável de renovação. É fundamental também construir redes – não redes apenas virtuais, mas humanas e reais, de solidariedade, de cooperativismo, de participação e incentivo. O desafio é grande porque ele está nas mentalidades, e não só nas leis – muda-se o país quando se muda o espírito do seu povo. Não esperes a permissão dos grandes poderes; construa espaços nos quais a voz do povo, unida, exija e conquiste – não peça – aquilo que é seu por direito. Te liberta, Brasil, a partir do instante em que acreditas que cada ato cotidiano molda tua história coletiva. O novo Brasil não nascerá de cima, mas de cada um de nós, juntos, comprometidos com a ação consciente. O protagonismo começa com um passo, um gesto, um acordo consigo mesmo: nunca mais aceitar viver de joelhos diante do impossível, pois o impossível só dura até que alguém ouse caminhar e mostre o caminho para todos.
