Episódio 4 | Até Quando Esperar

Meus Amigos Brasileiros,

Hoje, vamos adentrar nas sombras do nosso passado recente, entre 1930 e 1955, um período que moldou o destino do Brasil de forma indelével. Este é o tempo de Getúlio Vargas, um líder cujas ações reverberam até hoje em nossa sociedade, cercado por luz e escuridão, por promessas e manipulações.

Nesta época, a história Brasileira passou por inúmeros momentos de decisão; uma luta entre a esperança de nosso povo e o poder. Neste período, denominado de era Vargas, vivemos tempos de dualidades e contradições, com um líder que encarnava o paradoxo da transformação e progresso, mas também, e ao mesmo tempo, sustentava práticas antigas da elite e suas desigualdades, e para o povo, os avanços importantes eram recheados com opressão e subjugação.

Getúlio representou ao mesmo tempo a promessa de um Brasil novo e a perpetuação de velhas práticas, numa dança intrigante entre progresso e opressão. Um líder de grande influência, mas também de profundas contradições. Nesta época a sociedade Brasileira estava fervilhando porque o mundo estava mudando com a crise mundial de 1929 e a segunda guerra mundial.

Como sempre, um mundo de dificuldade esconde oportunidades. Uma decisão mais acertada aqui no rumo do Brasil, faria com que nosso país, quiçá pudesse ser uma grande potência mundial atualmente.

No entanto, nesta época a mente do Buargil estava pronta. A elite mantinha-se fiel a si mesmo, tudo para ela e nada para o povo, mas surgiu no cenário um opositor não esperado, as forças armadas. Surge também nossa conhecida mídia e suas falsas narrativas do que está acontecendo em nosso país, e não menos importante, nossa justiça é comprada de uma vez por todas, e a igreja a tudo assiste, continuando do lado, de quem ganhar.

Enquanto isso, o povo Brasileiro, como um cachorro às margens da mesa de seus donos, assisti as refeições torcendo que algumas migalhas de seus donos, possa alimentar sua fome.

Getúlio chegou ao poder em um Brasil castigado pela desigualdade e marcado pela força das oligarquias regionais. Ele chegou ao poder em 1930, impulsionado por alianças frágeis e interesses divergentes.

Ao mesmo tempo, Getúlio se aliou a militares e as elites, centralizando o poder e dando ao exército uma força jamais vista antes. Os militares tornaram-se protagonistas, passaram a ser os comandantes silenciosos do destino brasileiro.

A elite, com suas riquezas e interesses, teve que negociar, ganhando um pouco aqui, perdendo ali, sempre adaptando suas táticas para continuar no jogo, enquanto o povo assistia impassível, capturado por narrativas manipuladoras que eram jogadas como iscas.

A elite, acostumada a manipular, encontrou-se sob o jugo de um novo mestre: o exército. A força militar tornou-se um ator central na política brasileira. A igreja, se adaptava às conveniências do poder, renegando princípios em troca de estabilidade. Tudo isso enquanto o povo, alheio ao jogo cruel, assistia impotente às mudanças que definiam suas vidas até os dias de hoje.

De um lado, estava a mídia ampliada formidavelmente por Getúlio Vargas, e por outro lado, uma outra mídia estava sendo construída também pela elite oligárquica Paulista(USP 1934). Pois, controlar a narrativa, era controlar o povo. E neste momento, isso ficou claro para ambos os lados.

Em outras palavras, controlar a narrativa, implicava criar mentiras para manipular o povo Brasileiro deixando-o ignorante e a margem do que realmente estava acontecendo nos bastidores.

Em outras palavras, o início da fake news visando manipular o povo e deixá-lo ignorante surgiu aqui.

Mas o que podemos aprender deste capítulo de nossa história? A complexidade deste momento histórico nos ensina sobre o poder das narrativas. Vimos como nosso povo foi manipulado, levado a acreditar em promessas que serviam mais para a manutenção do controle do que para uma transformação.

O Brasil desta época foi um moinho que triturou esperanças e sonhos, triturou as possibilidades de um povo em busca de igualdade.

Apenas ao enxergando a totalidade dos eventos podemos evitar cair nas mesmas armadilhas, para que um novo destino seja escrito, não com ilusões, mas com ações conscientes e construtivas.

Vargas era um maestro das negociações. Enquanto negociava concessões com a classe trabalhadora urbana, usava a propaganda para construir uma imagem de salvador. A CLT, aprovada em 1943, tornou-se um símbolo de suas realizações, mas precisamos reconhecer um outro propósito: neutralizar as ameaças crescentes das ruas e manter o regime sob controle, longe das influências revolucionárias. Lembrando que o regime CLT se aplicava inicialmente somente a área urbana. A área rural foi conscientemente entregue a sorte do poder dos coronéis e suas leis. E todo levante era tratado com paulada ou morte, com apoio do estado.

Entre os anos de 1930 e 1955, o Brasil vivenciou uma intensa batalha de interesses, onde os tenentistas, a elite e as forças armadas desempenharam papéis cruciais. O povo, nosso povo, foi um peão neste jogo, manipulados por narrativas cuidadosamente fabricadas. E a Justiça e a Igreja coadjuvantes, mas peças essenciais no jogo.

Os tenentistas, jovens oficiais do Exército, ecoavam insatisfação contra a corrupção e o poder oligárquico da República Velha. Desmotivados pela estagnação política, eles clamavam por mudanças. Mas, como uma visão idílica pode facilmente ser distorcida, o que começou como um grito por reforma se transformou em um catalisador para implementar regimes mais autoritários. Vargas, uma figura perspicaz, soube aproveitar essa insatisfação e canalizar o descontentamento tenentista para seus próprios interesses.

É fundamental entendermos como a elite, acostumada ao conforto dos privilégios, teve que negociar sua influência. Inicialmente, reconciliada com o poder de Vargas, a elite previu que ele seria apenas mais uma marionete. Contudo, Vargas, com uma visão estratégica apurada, não tardou em manobrar seus jogos políticos, unindo as forças armadas às suas ambições. A elite perdeu o monopólio do controle e teve que aceitar um novo diretor nesta peça. Uma peça que o povo brasileiro assistia passivamente, sem poder intervir.

A elite negociava para manter seu poder, enquanto o Exército caminhava silenciosamente para o controle e também desejava o poder. E o povo? Vagava por entre ilusões, acreditando na fachada de um Brasil unido e progressista. A elite, as forças armadas e Governo manipularam, com ajuda fundamental da mídia, a percepção da realidade com falsas narrativas.

Ao pavimentar a política deste período sob a bandeira de uma “democracia social”, perpetuava-se uma ilusão de inclusão. No entanto, tudo era parte de uma engrenagem mais complexa, onde o real poder repousava nas mãos de uma elite que, que sempre poderosa, foi forçada a dançar ao ritmo do novo maestro, Getulio Vargas, sob a proteção das forças armadas.Por outro lado, a justiça, que deveria servir como alicerce de imparcialidade, continuou cega aos apelos do povo. Cega, não porque faltasse visão, mas porque escolheu não ver, como assim o faz até os dias atuais. Era uma justiça, ou melhor é uma justiça, que favorece os que possuem privilégios, inclinada aos desejos das elites, ignorando o sofrimento daqueles que esperam da justiça, justiça. A justiça brasileira consolidou-se uma marionete, estruturada para proteger os interesses de poucos, deixando as vozes dos muitos sem resposta. E isso, pouco mudou até os dias atuais.

A passividade do sistema judiciário Brasileiro não foi apenas uma falha, mas foi e é uma escolha consciente. Ao permitir que as tensões sociais e políticas fossem resolvidas ou à margem da justiça ou sendo parcial e fazendo uma justiça de e para a elite, fortaleceu uma cultura de impunidade que persiste até os dias atuais.

Enquanto o povo sofria e sofre com desigualdades e injustiças, a justiça, resguardada em seu próprio elitismo, evitava envolver-se em conflitos que pudessem ameaçar sua posição ou questionar os interesses estabelecidos.

Assim, a “injustiça brasileira”, porque não podemos chamar de “justiça brasileira”, nasceu da indiferença ao povo Brasileiro e do privilégio das elites. Um sistema que deveria proteger e elevar o povo, tornou-se cúmplice das disparidades, amarrado a uma lógica de poder que perpetuava a opressão e a desigualdade. Este estado de coisas ainda ressoa, e ecoa nos corredores dos tribunais de nosso país, onde reinam estes excelentíssimos doutores da justiça Brasileira.

Enquanto Getúlio Vargas é, de um lado, visto como herói e modernizador, porque realmente realizou ações importantíssimas para o povo brasileiro, do outro é percebido como um artífice do jogo político, servindo-se dos interesses elitistas e das forças armadas para manter-se no poder.

O que fica claro é que o Brasil, em suas lutas internas e externas, nesta época viveu um capítulo intenso e formativo de sua história, cujo legado continua forte e sendo o caminho trilhado e repetido até os dias atuais.

A elite e os militares eram as mãos invisíveis movendo o tabuleiro. Vargas, cercado por estes titãs, navegava em águas turvas. Com uma elite que sempre foi, e talvez ainda seja, inconsciente de seu próprio elitismo, presa a interesses tão enraizados que sequer percebem seu impacto e responsabilidade na desigualdade e injustiça brasileira.

E agora? Vamos continuar nesse ciclo interminável de opressão e alienação? A única verdadeira revolução começa na mente de cada brasileiro. Despertar é nossa missão, e o segredo está na consciência coletiva. Podemos ser os autores de um novo capítulo, um onde o povo escreve sua própria narrativa. Onde a justiça, a igualdade e a liberdade não são apenas palavras, mas realidade.

Não podemos permitir que o passado nos amarre eternamente. A história é nosso legado, mas o futuro deve ser moldado por nossas mãos. O passado nos ensina, mas o que faremos agora? Que lições tomaremos para que a história não se repita, mas seja reescrita? Essa é a pergunta que deixo com vocês, mas que de fato, conheço a resposta.

Não é nossa intenção atribuir culpa a Getúlio Vargas, à elite, às Forças Armadas, à Justiça brasileira ou à Igreja. Nosso propósito é revelar as estruturas que governam o país. Apontar culpados é um gesto reativo e imaturo, que devemos superar. A busca por culpados gera reação, mas a reação, por si só, é insuficiente para promover mudanças autênticas.

As verdadeiras transformações emergem da ação deliberada, que, por sua vez, nasce de uma consciência desperta. Ao compreender as estruturas do passado, lançamos uma nova luz sobre o presente, desvendando intenções ocultas e rompendo com as cadeias da manipulação. Compreender essas estruturas é renunciar ao jogo de sombras e ingressar em uma era de consciência e transformação.

Amigos Brasileiros,

É hora de acordar. Não podemos continuar aceitando todas estas narrativa que nos roubaram nosso passado, destroem nosso presente e criam um de futuro perpétuo de sofrimento, injustiça e desigualdade para todo povo brasileiro.

A libertação deve começar em si mesmo. Porque são as mentes dos brasileiros que ainda estão presas. Precisamos nos libertar. Cada um de nós.Só existe uma liberdade – a liberdade da mente. Se você é refém em sua própria mente, é refém de tudo, até mesmo de seus próprios desejos.

Preciso que venha comigo. Episódio a Episódio. Temporada a temporada. Porque nesta série o final depende de você.

Minha adolescência foi marcada por desafios imensos. Cresci em um mundo que muitas vezes parecia desprovido de amparo. Após a separação dos meus pais, minha mãe enfrentou dificuldades financeiras significativas, garantindo apenas o essencial para nossa alimentação. Frequentemente, precisávamos do apoio de familiares e amigos.

Desde cedo, compreendi que não poderia basear minha visão de mundo nas referências dos meus pais. Aprendi que amá-los não implica aceitar suas perspectivas e valores. Esse período foi uma verdadeira revolução em minha vida, onde decidi buscar o conhecimento do universo de forma independente, explorando aquilo que está além de nossas interpretações pessoais.

Segui dois caminhos opostos ao mesmo tempo. Aos 14 anos, mergulhei nos estudos das ciências exatas, como matemática, física e química. Visitava fábricas no Rio de Janeiro, onde era recebido com curiosidade e reverência. Desenvolvi várias substâncias e realizava demonstrações para amigos. Meu interesse por astronomia levou-me a estudar as estrelas e construir um relógio solar.

Ao mesmo tempo, embarquei na leitura completa da Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse. Frequentava igrejas com minha mãe e fiquei perplexo ao constatar que o que lia era muitas vezes bem diferente do que era pregado. Existia algo estranho, que mudava a essência da mensagem. Essa constatação gerou em mim a dúvida sobre o verdadeiro papel da Igreja na promoção do amor e da paz entre os seres humanos.

Adotei uma rotina de estudos rigorosa, das seis e meia da manhã até às nove e meia da noite, fazendo apenas pausas para as refeições e para ouvir música. Apesar das dificuldades financeiras que ainda enfrentava, incluindo a entrada de água em nossa casa em dias de chuva intensa, permaneci focado no meu objetivo de ser aprovado na UFRJ, como já mencionei no episódio anterior.

Concluí a leitura da Bíblia, mas continuei sem respostas para muitas perguntas. Isso me levou a explorar outras escrituras sagradas, como o Alcorão, a Torá, e textos dos Vedas, e principalmente a força e a consistência dos textos Budistas. De fato, li quase tudo que podia, como toda obra de Allan Kardec, a Doutrina Secreta de Helena Blavatsky, Os Essênios de Jesus, evangelhos apócrifos como o belíssimo evangelho de Tomé, entre vários outros.. Estes escritos me marcaram profundamente pela sua compaixão, amor, consciência e sabedoria. Voltarei a eles continuamente em nossos episódios.

Pergunto: o que estamos fazendo aqui? Será possível que a ficha nao vai cair mesmo? Será mesmo que esta vida se resume a busca pelo poder, dinheiro, fama e vaidades? E para muitos, apenas comida?. Alguém aqui já esteve de avental em um hospital entre a vida e a morte? Ou já esteve em algum cemitério?

A verdadeira felicidade reside na felicidade do próximo. O amor só encontra seu verdadeiro significado quando é precedido pela compaixão, a capacidade de se colocar no lugar do outro, seja na dor ou na alegria.

O caminho para a sabedoria é inesperado; ele passa pelo desaprender, pela renúncia e pela consciência. O Brasil precisa despertar. Antes de progredir, é necessário refletir, desaprender e se esvaziar, para só assim alcançar a verdadeira consciência.

Brasil: Doutor, hoje percebo quais foram as principais forças que dominaram a minha existência, e pela qual preciso me libertar. Se elas estivessem aqui, eu faria estas perguntas para elas.

Pergunta 1: Elite Brasileira até quando você continuará inconsciente de que seus privilégios não são um direito adquirido, eles existem a custa de sua traiçao de caráter contra seu próprio povo, negando direitos básicos, justiça e uma dignidade de sobrevivência.

Rogério: Brasil, a reflexão necessária aqui precisa ir além de uma simples crítica. A elite não é burra, nem maligna, nem fica planejando a desgraça e o sofrimento de seu povo. Ela de fato, nem percebe que falseia a realidade para si mesma, e acredita, na história, ou melhor mentira, contatada para si mesma, e repetida pelos seus pais e avós, que é o povo Brasileiro o culpado de tudo. Que é o povo Brasileiro que é destituído de dignidade e não é merecedor. Em termos coletivos, existe uma falha de caráter ou consciência em seu olhar.

Aqui, não somente o povo brasileiro precisa ganhar consciência, mas talvez e principalmente sua elite. Desprovida de senso crítico, ela ignora sua própria vaidade e egoísmo, e projeta sua falha de caráter na desqualificação e ignorância de seu próprio povo, que ela própria foi a responsável em criar e manter.

Ela não consegue enxergar que os privilégios desfrutados por poucos não são direitos naturais, mas sim consequências de um sistema desumanizado produzido pelos seus avós. Esta situação cria uma falha em reconhecer a dignidade de cada cidadão. Quando a elite ignora sua responsabilidade, mantém um ciclo de dor e desigualdade para seu povo. O verdadeiro caráter é testado na capacidade de enxergar além das vantagens pessoais e trabalhar para um país onde o sucesso de uns não dependa do sofrimento de muitos. É hora de a elite usar sua posição para promover inclusão e equidade, e fazer um ajuste de contas com a história brasileira e com seu povo. Elite Brasileira, acorda.

Brasil: Justiça brasileira, até quando, paradoxalmente, você será a guardiã da impunidade e do favorecimento, ignorando os gritos daqueles que clamam por uma verdadeira justiça?

Rogério: Brasil, sim, a justiça brasileira ser a guardiã da impunidade é um paradoxo, que amargamente precisamos reconhecer. Pois, a justiça deve servir como pilar de uma sociedade, garantindo direitos iguais para todos, e não o seu inverso. No entanto, quando ela se transforma em escudo de impunidade, trai seu próprio fundamento. A pergunta que precisa ser feita é: como corrigir um sistema que conspira a favor dos poderosos e marginaliza os vulneráveis? A justiça só se efetiva quando olhos não estão vendados para o sofrimento. A justiça não se faz com mera racionalização intelectual e acadêmica. A transformação começa com a disposição de ouvir, realmente ouvir, aqueles que clamam por justiça e agir com imparcialidade perante todos. É um chamado à coragem de implantar mudanças e não perpetuar desigualdades.

A justiça não pode mais ser uma mera abstração seletiva. Para que haja verdadeira transformação, ela deve confrontar sua própria complacência. Não é mais admissível que seja um símbolo de inércia enquanto a desigualdade prolifera. Para ser efetiva, a Justiça precisa humanizar-se, entender que sua função não é apenas arbitrar no vazio intelectual, mas sim corrigir injustiças no real da sociedade. A justiça deve ser um chamado ao dever, onde igualdade deixa de ser utopia e se torna realidade concreta, defendendo com veemência aqueles que mais precisam dela.

Justiça brasileira, precisamos de vocês.

Brasil: Mídia brasileira, até quando você continuará a mascarar a realidade com falsas narrativas, a favor dos poderosos, manipulando e impedindo o povo de enxergar os fatos e a verdade?

Rogério: Brasil, como sabemos a mídia constrói percepções e tem o poder de definir narrativas. Quando usada de forma irresponsável, mascara a realidade, impedindo o povo de buscar sua verdadeira força. Este papel deve ser reavaliado de forma profunda. Estar ao lado dos poderosos é manipular a cegueira do coletivo; implicando criar e manter seu povo cativo em sofrimento e desigualdades. A mídia deveria iluminar, não ofuscar. É hora de romper com os interesses enganosos e se comprometer com a integridade, permitindo que a realidade, mesmo que dura, seja a base de transformação.

A mídia precisa reavaliar seu papel como guardiã da verdade. Neutralidade não pode ser desculpa para conivência. É uma instituição que precisa escolher entre servir como espelho das manipulações ou como farol que ilumina o caminho para mudança e justiça. Não é apenas sobre noticiar, mas sobre educar, explicar e contextualizar. Deve ser um convite constante ao povo para questionar e refletir, colocando em primeiro plano a dignidade humana e a justiça social, sem ser porta-voz de interesses próprios ou oligárquicos.

A mídia precisa reconhecer sua responsabilidade com o Brasil e com seu povo. E encontrar um caminho que possa apoiar e transformar para melhor a sociedade brasileira.

Brasil: Policia e Forças Armadas, até quando vocês acreditarão que um povo deve ser governado pelas armas e pela força?

Rogério: Brasil, uma nação não pode ser construída pelo som de botas, mas pelo batida compassada dos seus corações. Governar pela força é governar com medo; e medo não constrói uma nação soberana e forte. A verdadeira segurança está na justiça, equidade e compaixão. Até quando será aceitável ver armas como instrumentos de paz? Precisamos transformar a força bruta em força ética e moral, potência de coesão, justiça e proteção do povo que pretende servir e não subjugar.

A história das armas deve ser reescrita. Ser guardião do povo não é agir como carcereiro. Até quando a segurança será sinônimo de opressão? É hora de redescobrir a essência do servir, protegendo os direitos e anseios do povo. O uso da força deve ser moderado pelo diálogo e entendimento. A verdadeira grandeza está na capacidade de se tornar defensor dos indefesos, de ser construtor da paz que nasce da justiça, não da submissão.

A polícia e as forças armadas brasileiras foram construídas para proteger a elite e não ao país. E deste jeito, prolifera de fato a injustiça e toda sorte de insegurança e fraqueza do estado.

Por outro lado, a polícia para ser eficiente, precisa que antes, o sistema judiciário Brasileiro o seja.

Brasil: Igreja, sua função é trazer paz, sabedoria e consciência aos seres humanos. Por que se deixar ser usada para legitimar tanta desigualdades e injustiças, permitindo que a fé seja manipulada contra o próprio povo brasileiro?

Rogério: Brasil, quando a fé é usada como máscara para desigualdade, a essência do mundo espiritual é perdida e seu reflexo é o profundo sofrimento. A igreja, com seu imenso potencial transformador, tem a responsabilidade de defender a justiça, não apenas um santuário de silêncio e conivência. A religião deveria promover união e esclarecimento, não ignorância e medo. É o momento de a igreja examinar seu papel e realinhar-se com ensinamentos que verdadeiramente elevem a dignidade humana e promovam mudanças concretas na luta contra desigualdades.

É preciso parar com a pregação de que o sofrimento traz felicidade. E que a felicidade só pode ser encontrada após a morte. Este discurso, implica em deixar tudo para os ricos e a elite, e não fazer nada para mudar. É vender uma esperança mentirosa, porque nunca irá se realizar.

A igreja deve refletir sobre o poder de sua voz. Silenciar-se diante da desigualdade não é neutro, é conivente. A fé que move montanhas precisa mover consciências também. Que o altar se torne lugar de libertação e consciência, não de adormecimento e legitimação. A religião precisa inspirar transformação, questionando as injustiças e trabalhando ativamente por um mundo que reflita os valores que prega. A verdadeira espiritualidade é a que se traduz em ação concreta HOJE pela justiça social, e não depois da morte.

Brasil: Doutor, surgiu algo em minha mente agora. E os políticos. Até agora não falamos sobre eles. Não são eles os verdadeiras culpados por tudo isso?

Rogério: Brasil, centrar o debate apenas nos políticos é ignorar a profundidade do problema. Eles são muitas vezes reflexo e síntese de uma sociedade adoecida. Não é uma questão de culpar indivíduos, mas de analisar o sistema que esta política permite prosperar. O político que trai o povo expõe as falhas de sua sociedade. A transformação política começa sim, com a educação, engajamento e consciência do eleitorado, mas termina com uma justiça que efetivamente funcione, o que não é o caso de nosso Brasil.

Culpar apenas os políticos é simplificar uma complexidade sistêmica. Eles atuam dentro de um sistema criado e mantido pela ignorância coletiva e falta de consciência social, mas prosperam principalmente pelo apoio conivente da justiça brasileira. Cada político que trai o povo é um lembrete de um sistema que permite que isso ocorra, ou seja, um lembrete que nossa justiça trai constantemente seu próprio povo.

Se quisermos um sistema que verdadeiramente sirva ao povo, devemos assegurar que a consequência das decisões seja visível e que a corrupção não tenha espaço para prosperar, ou seja, precisamos primeiramente de justiça.Brasil, Os politicos de Brasilia não são a causa dos problemas brasileiros e sim seu sintoma mais grave. Até a próxima sessão Brasil.

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