Episódio 1 | Astronauta de Mármore

Este é o nosso Brasil:

– Ricos(5%) x Pobres(70%)

– Sem Infraestrutura

– Sem Educação

– Sem Hospitais

– Sem Transporte

– Sem Cultura

– Sem Segurança

– Sem Comida

Infelizmente, este é o país que nós, brasileiros, aceitamos como nossa realidade. Sim, nós poderíamos não aceitar esta realidade. Mas, nem sabemos que temos esta escolha, de tanto que ela nos foi negada.

Convivemos com isso e normalizamos isso em nosso dia a dia. Morrer de uma bala perdida ou em um assalto? Transporte ruim? Educação ruim? Sem segurança? Não ter o que comer? Dificuldade para se vestir ou se divertir? Tudo isso faz parte da vida da maioria dos Brasileiros.  Mas meus amigos, temos mesmo que aceitar isso? Respira fundo agora comigo. Precisamos mesmo aceitar tudo isso?

Colocar o dedo na cara e dizer que isso tudo é uma vergonha, culpar os políticos, a mídia, a elite, os pobres, a direita, a esquerda, a corrupção, o presidente ou o que quer que seja, estaríamos sendo um típico Brasileiro. E enquanto agirmos assim, estaremos repetindo o que nos ensinaram, e o jogo continuará perdido.

Se quisermos realmente mudar tudo isso, não podemos cair na armadilha de nossas repetições. Vamos precisar ir mais fundo desta vez. Não podemos vacilar entre o intelectual que tudo explica e nada resolve, nem com a ignorância que de tudo reclama.

Pergunto: O que importa? EXPLICAR tudo isso intelectualmente via sociologia, psicologia, neurociência, historia, etc… Ou RESOLVER tudo isso, com comida, moradia, trabalho, transporte e segurança?

Meus amigos, temos que parar de ser bobos. Não precisamos de explicação e sim de solução.

Como chegamos até aqui? Como permitimos que isso acontecesse? Tivemos escolha? Ou as escolhas nos foram impostas? Se foram impostas, quem nos colocou nesta situação?

O problema não está aonde chegamos ou estamos (nesta tragedia); o problema está em não fazermos nada para mudá-la. Esta tragedia é maior ainda.

Pois bem, vamos fazer uma brincadeira agora. Que todo Brasileiro gosta muito de fazer. Preparados? Vamos lá:

Quem vamos escolher para culpar? Os políticos? Nosso sistema judiciário? Os banqueiros? A elite? Os pobres? Os ricos? Ou será à esquerda a culpada? Ou a direita? Ou seria o capitalismo? Ou seria o comunismo? Ou será o machismo ou será o feminismo?

Jogo é jogo. Então sugiro acrescentarmos outros opostos para culpar. O negativo ou seria o positivo? A luz ou seria a escuridão? O sol ou seria a lua? O branco ou seria o preto? O sim ou seria o não?

Esta visão não coloca comida na barriga dos brasileiros nem traz segurança publica nem melhora nossos hospitais, e muito menos nossa educação.

Implica de fato, em continuarmos perdidos, sem saber o que somos, em um joguete onde somos totalmente controlados por narrativas mais poderosas do que possamos imaginar.

Ora bolas, quem seria o culpado então???

OPA! Para tudo. Para tudo. Vamos repetir a pergunta: Quem é o verdadeiro culpado pela tragédia do povo Brasileiro?

Sem compreender o passado, iremos repetir nossos erros como nação, ano após ano. Nosso destino continuará amarrado por correntes. Um caminho dolorido de repetição e muito sofrimento é o que encontraremos se não despertarmos o quanto antes. De fato, a muito tempo o povo Brasileiro vem sofrendo muito. E o pior de tudo, é que ninguém consegue enxergar o fim do túnel. A coisa esta ficando cada vez pior.

O que precisamos saber é:

O que é preciso fazer para mudar tudo isso?

Como o Brasil pode efetivamente ser transformado?

O que eu posso fazer concretamente para isso?

Como posso contribuir e mudar o rumo de meu pais e de seu futuro?

Preciso que venha comigo. Episódio a Episódio. Temporada a temporada. Porque nesta série o final depende de você.



Notem algumas coisas importantes. A parede atras está descascando e infiltrada. Demonstrando ser um ambiente de bastante dificuldade. Notem a roupa onde eu estava sentado, meio velha e surrada.

Meu short e minha camiseta até que estavam boas, mas as usei por anos a fio. Notem meu ombro curvado, derrotado, e sem brilho.

Pela sociologia atual eu pertencia a classe chamada ralé.

Mas notem meu olhar. Sempre olhando para frente e o infinito. Nesta época, eu não tinha nada, passava muita dificuldade, mas o meu olhar me fez seguir adiante. E foi o que fiz.

Minha infância foi pobre. Minha família passava dificuldades. Meus pais passavam dificuldade. Meus amigos passavam dificuldade. Eu, obviamente, passava dificuldade.

Mas o meu olhar…estava longe. Determinado, difícil de conter, pegando fogo. Meu futuro e minha mente estava longe dali, embora meu corpo, me lembrasse sempre onde eu estava.

Como disse, segundo alguns sociólogos atuais eu pertencia a ralé. Aquela camada mais baixa do povo brasileiro, que dificilmente tem algo a dizer. Que deve ficar de cabeça baixa, aceitando a desgraça, e jamais ousar sair deste canto sofrido, faminto, sem esperança. Um local que vai quebrando o espírito das crianças, ainda pequenas, e quando chega na adolescência, não resta nada a fazer, a não ser aceitar o sofrimento pelo resto da sua vida.

Brasil fala de sua exaustão e desânimo. As palavras do paciente são metafóricas, refletindo as condições do país e do seu povo.

A pessoa chamada Brasil se acomoda no divã, suspira profundamente e começa o dialogo…

Brasil: Doutor, por que meus filhos não acreditam em mim? Por que sempre acham que não sou capaz de nada?

Rogério: Brasil, crença não implica realidade nem verdade. Ela nasce em sua maioria de uma visão distorcida do mundo e de si mesmo. Esta imagem distorcida dos Brasileiros sobre si mesmos nasceu devido a anos de histórias mal contadas, narrativas falsas criadas em prol de privilégios de poucos. Isso foi plantado em sua mente enquanto você ainda estava em sua pequena infância, mas os Brasileiros estão chegando no limite da desesperança e por isso você está aqui, e por isso, precisamos de um ponto de partida para mudar essa percepção. De fato, é preciso que você cresça Brasil e também os seus filhos Brasileiros.

Brasil: Sinto que muitos me veem como corrupto, incapaz e derrotado, e isso me fere profundamente.

Rogério: Como já disse, essas são narrativas ou histórias antigas, mentirosas e injustas que foram usadas para controlar e manipular seus filhos Brasil, o povo Brasileiro. Precisamos trabalhar juntos para desconstruí-las, valorizando a capacidade, resiliência e a inteligência dos Brasileiros. O poder de romper com isso reside em reconhecer que estamos nesta situação não porque você é assim Brasil, e sim porque você acreditou que é assim. A transformação começa quando o povo Brasileiro iniciar o processo de reflexão e perceber que sua desgraça não vem dos céus, e que ser feliz somente depois de morrer é uma invenção dos ricos, para que os pobres, não despertem. Sofrimento não traz felicidade alguma, sofrimento gera sofrimento hoje e no futuro.

Brasil: A elite me afoga em seus interesses, mas eu sinto que estou impotente para mudar isso.

Rogério: A mudança começa na reflexão e conscientização, e termina concretamente no equilíbrio e na justiça. Culpar o outro ou usar a força é uma medida de ignorância e infantilidade. Quando o povo Brasileiro perceber o poder que têm, poderá começar a exigir e provocar transformações. Hoje o Brasileiro não percebe que existe uma narrativa ou falsas interpretações dos fatos que faz com que o rico continue rico e o pobre continue pobre indefinidamente. O poder mais forte é a reflexão e a consciência, Brasil. Use a reflexão para encontrar seu valor, e isso te dará força para se erguer e inspirar mudanças. Brasil você é de uma grandeza única, embora ainda não tenha despertado para isso.

Brasil: Por que pareço tão dividido e em constante conflito comigo mesmo?

Rogério: Todos temos contradições. Precisamos encontrar nossa unidade na diversidade. Aceitar suas diferentes partes é essencial para encontrar paz e prosperidade. É justamente a multiplicidade que faz de você quem você é, pelo seu tamanho e grandeza.

No entanto, seu conflito interno vem do passado. Na falsa narrativa criada que o Brasileiro é fraco, corrupto, emocional ingênuo, preguiçoso e derrotado. Estas narrativas foram criadas no passado, por uma elite intelectual preconceituosa, racista, machista e elitista. Vamos precisar olhar para ela, serenamente, sem atacá-la e sim para nos libertar e transformá-la.

Brasil: Ué, não entendi. Quer dizer que não sou como dizem? De fato, sou o que sou porque acreditei nesta narrativa em minha infância?

Rogério: Que progresso vigoroso Brasil. Exatamente, se nossos pais responsáveis pela nossa formação, nos atacam em tenra infância, temos dificuldades em nos libertar de seus rótulos. Um pequeno menino sempre chamado de ladrão por seus pai, muito provavelmente, não necessariamente, será um ladrão.

Os pais do povo Brasileiro vieram de uma elite escravocrata, portanto, racista, machista e elitista. Ao invés de criarem um ego forte do povo Brasileiro, ficaram na posição tirânica de superego, uma posição que massacra seu povo, a qualquer tentativa de criar sua própria identidade.

Brasil: Eu sempre soube disso. Então de fato, a culpa são dos meus pais. Certo Doutor?

Rogério: Em nosso caso Brasil, pode-se dizer que eles tiveram uma grande responsabilidade sim, mas culpá-los é algo que não pode fazê-lo. Seus filhos poderiam ter procurado a reflexão e consciência, e de alguma forma, ter conseguido se libertar destes rótulos. Embora, reconheça que seria algo muito difícil e por isso ainda estamos aqui, sofrendo por acreditar neles.

No entanto, se finalmente você chegou até aqui é porque está pronto para crescer. Brasil, você ainda é um país jovem. Talvez ainda na adolescência e com um potencial gigantesco para transformar o mundo. Entendo que chegou a sua hora. E juntos, vamos ressignificar seu passado, para que você reconheça quem você é no presente, e finalmente, conquiste uma posição soberana e justa no futuro.

Brasil: Doutor, me sinto mais animado. Surgiu em mim algo que não sentia antes. Uma força e uma dúvida, mas positiva. Mas será que vou conseguir doutor?

Rogério: Brasil. Esta força não surgiu agora, você a tem desde quando nasceu. Só foi impedido de usá-la e reconhecê-la. Meu papel aqui é apenas de suposto saber, a grandeza aqui não está em mim, e sim em você Brasil. No seu povo, na sua gente, nos seus filhos.

Vou te ajudar a encontrá-la. Embora, terão outras sessões que você irá sair daqui pior do que entrou. Esteja preparado para isso, porque não existe crescimento sem dor. Mas juntos, vamos atravessá-la.

Até a próxima sessão Brasil.

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